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Ossétia do Sul: As Raízes de um Conflito

12/08/2008

Os combates entre as tropas russas e georgianas alastraram à região ocidental da Geórgia, na segunda-feira, enquanto os esforços internacionais para travar os combates parecem estar a ganhar algum ímpeto.

A woman in Gori, Georgia cries, after finding out that her child was killed, 11 Auf 2008
Uma mulher na cidade de Gori, na Georgia, ao encontrar o seu filho morto
Os analistas concordam que o actual conflito entre a Geórgia e a Rússia foi desencadeado pelo governo de Tiblisi, na semana passada, quando enviou as suas tropas num esforço para assumir o controlo de Tskhinvali, a capital da província secessionista da Geórgia, a Ossétia do Sul. A Rússia, que tinha tropas estacionadas naquela região, repondeu ao ataque enviando mais tropas, tanques e blindados para transporte de tropas, passando de imediato à ofensiva.

A Ossétia do Sul, à semelhança de outra província da Geórgia, a Abkhazia, declaração unilateralmente a independência em meados dos anos 90. O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, prometeu reintegrar no país aquelas duas regiões.

As tensões têm vindo a aumentar naquela área, durante os últimos meses, à medida que a Rússia reforçava as suas ligações políticas, económicas e comerciais com as duas regiões separatistas. Uma série de avanços militares tanto por parte da Geórgia como da Rússia naquela área ajudaram a aumentar as tensões ainda mais.

Muitos peritos não conseguem explicar as razões porque o presidente Saakashvili decidiu enviar tropas para a Ossétia do Sul nesta altura. Mas, muitos analistas, incluindo Marshall Goldman, da Universidade de Harvard, dizem que se tratou de um erro de cálculo: ¡§Ele, certamente, que escolheu a altura errada para actuar desta forma. Ele estava irritado porque os russos estavam a violar o espaço aéreo da Geórgia. E pensou que esta seria a melhor oportunidade para actuar. Não há dúvida de que provocou os russos. Eu penso que os russos estavam, realmente, à procura de uma desculpa e ele deu-lhes uma.¡¨

Líderes ocidentais, incluindo o presidente George Bush, disseram que a resposta dos russos tem sido desproporcionada.

Robert Legvold, da Universidade de Columbia, afirma que a forte resposta militar russa vai para além da razão inicial de defender os seus cidadãos naquela região: ¡¨Deixou de ser meramente a ideia de restaurar a paz e a estabilidade na Ossétia do Sul. Penso que se trata de destruir a influência da Geórgia na Ossétia do Sul e, na realidade, na maior parte da própria Abkhazia e de preparar a forma, se os russo optarem por isso, de anexarem a própria Ossétia do Sul. E, no caso da Abkhazia, reconhecer a  sua independência e, depois, estabelecer com esta um relacionamento diferente.¡¨

Os analistas dizem que a resposta da comunidade internacional ao conflito na Geórgia tem sido morna. Uma vez mais, a opinião de Mashall Goldman: ¡§Os europeus têm sido basicamente neutralizados. Em parte, por se terem tornado muito dependentes do petróleo e do gás natural russo, particularmente do gás natural. Por exemplo, no caso da Alemanha, a Rússia fornece 42 por cento do gás natural consumido na Alemanha. Por isso, o governo de Bona,  que se esperaria assumisse a liderança neste caso, tem sido neutralizado¡¨.

Peritos afirmam que os EUA ¡V um forte apoiante do presidente Saakashvili ¡V também se têm revelado incapazes de persuadir ambas as partes de porem termo ao conflito.

Robert Legvold afirma que esta situação se pode transformar num fracasso total para a política externa americana, sem poder ajudar a Geórgia militarmente e incapaz de travar Moscovo: ¡§Os georgianos estão a responsabilizar os EUA e os russos estão a responsabilizar os EUA. Os georgianos estão a responsabilizar os EUA por os terem abandonado, por os ter traído, por os ter apunhalado pelas costas! E os russos acusam os EUA, como o têm vindo a fazer de há algum tempo a esta parte, de terem dado apoio ao líder da Geórgia, um indivíduo que consideram ter um temperamento explosivo¡¨.

Legvold e outros estão convencidos de que a comunidade internacional tem que trabalhar no sentido de garantir um cessar-fogo antes do conflito naquela região ficar totalmente fora de controlo.

 

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