Na Convenção do Partido Democrático, as atenções estão obviamente mais
viradas para questões de política interna, como seja a situação económica do
país. É na política externa, claro está, que as atenções estão viradas para as
guerras no Iraque e Afeganistão. Mas, caso Barrack Obama vença as próximas
presidenciais quem irão ser as figuras no comando da política externa
americana?
Brack Obama pode
ser o candidato da mudança mas, ironicamente, a sua enorme equipa de política
externa e de segurança é composta por conhecidas personalidades da
administração do presidente Bill Clinton.
A antiga
Secretária de Estado Madeleine Albright é uma figura visível aqui nesta
convenção, apesar de, durante a campanha das eleições primárias, ter dado o seu
apoio a Hillary Clinton. Hoje, faz parte do grupo de conselheiros de política
externa de Barack Obama.
No grupo de
conselheiros de segurança nacional de Obama conta-se um outro Secretário de
Estado de Bill Clinton: Warren Christopher, bem como Secretario da Defesa,
Wiiliam Perry.
O que não é de
admirar . Christophjer, Albright e Perry juntam-se a um extenso grupo de
conselheiros dos mais diversos aspectos de política externa, de assinalar, pelo
facto de quase todos serem antigos conselheiros de Bill Clinton. O grupo de
conselheiros de política externa é chefiado por Anthony Lake, que foi o
primeiro conselheiro de Segurança Nacional de Clinton, posição que abandonou após duras criticas
pelas sua inacção durante o genocídio do Ruanda e a reacção lenta aos massacres
na Bósnia.
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Susan Rice
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A
africano-americana Susan Rice é cada vez mais a face pública de Obama em
questões de política externa, aparecendo agora regularmente em entrevistas na
televisão a explicar detalhes do programa de Obama.
Rice, recorde-se,
fez parte do Conselho Nacional de Segurança de Bill Clinton e foi também
Secretária de Estado Assistente para Assuntos Africanos.
Gail Smith, uma
veterana de assuntos africanos que trabalhou também para o Conselho de Nacional
de Segurança em anteriores administrações democráticas está também aqui na
convenção e numa palestra em que abordou a situação em África falou sobre
Moçambique como exemplo de um sucesso em África: "Quando
eu vivia em África, Moçambique era considerado um caso sem solução que nunca
iria recuperar. Hoje, Moçambique tem um dos mais altos níveis de crescimento do
mundo. Claro que há ainda muito caminho a percorrer, mas isto prova o ponto de
que não se pode olhar para África como sendo um continente sem diferenças".
Outras figuras no
grupo de conselheiros de política externa de Obama são Gregory Craig, que
trabalhou no Departamento de Estado durante o governo de Clinton, Jim Steinberg
antigo vice-conselheiro de Segurança Nacional e Richard Danzig, Secretário da
Marinha de Clinton. Daniel Saphiro, um especialista em questões do Médio Oriente,
também fez parte do Conselho Nacional de Segurança de Clinton.
Há outros, claro
está, embora com um carácter mais informal, como o Zbignew Brezzinski, Conselheiro
Nacional de Segurança do presidente Jimmy Carter e Dennis Ross, coordenador para o Médio Oriente de Clinton.
Um nome a tomar
em conta é o de Samantha Powers. Powers foi forçada a demitir se da campanha de
Obama depois de ter descrito Hillary Clinton como “um monstro”. Mas, talvez, sintomaticamente,
Powers está aqui, em Denver, e, na terça-feira, esteve participou num debate
sobre crises humanitárias em África, uma área em que é especialista.
Mas, na
generalidade, pode dizer-se que, em termos de conselheiros de política externa,
uma presidência de Barack Obama será regressar ao passado, para fazer face ao
futuro.