A Secretária de Estado americana, Condoleezza
Rice, visitará a Líbia na próxima sexta feira. Trata-se da primeira visita do
género a Tripoli desde 1953. Rice desloca-se à Líbia no âmbito de um périplo
pelo Norte de África e Portugal.
A
visita de Rice a Tripoli e o seu programado encontro com o leader líbio Muamar
Kadafi vem culminar um processo de reaproximação entre os dois países, iniciado
em 2003, quando a Líbia aceitou a responsabilidade por uma série de actos
terroristas e concordou em acabar com o seu programa de mísseis e de armas de
destruição em massa. As relações entre Washington e Tripoli, cortadas desde
1972, têm vindo a ser reatadas, passo a passo. O último obstáculo a esta visita
da chefe da diplomacia americana foi ultrapassado, no mês passado, quando os
dois lados concordaram na criação de um mecanismo financeiro para resolver
todos os restantes casos relacionados com actos terroristas incluindo o do
atentado bombista contra um avião da Pan American, em 1988, que causou a morte
de 270 pessoas.
Anunciando esta visita, o porta-voz do
Departamento de Estado, Sean McCormack, considerou-a como um acontecimento
histórico que abre um novo capítulo nas relações entre os dois países. Por seu
lado, o Secretário de Estado Assistente para o Médio Oriente, David Welch,
afirmou que Condoleezza Rice encarava com grande interesse o seu encontro com o
leader líbio, em tempos considerado pelo ex-presidente americano Ronald Reagan
como o "cão raivoso" do Médio Oriente. Disse Welsh: "Actualmente, não nos
referimos nesses termos ao coronel Kadafi. Trata-se de um relacionamento que
tem um passado conturbado, mas que, hoje em dia, tem alicerces mais fortes. Na
sua qualidade de leader, ele tomou certas decisões que mudaram realmente as
coisas. É importante reconhecê-lo. Isso é do interesse nacional americano e,
acho eu, também do interesse nacional líbio."
Welch disse ainda que o objectivo da vista de
Rice é o de tentar encorajar os líbios
que estão interessados em mais reformas políticas e económicas. Acrescentou que
a Secretária de Estado pretende debater com os leaders líbios a questão dos Direitos
Humanos, mas não especificou se Rice falaria do caso do dissidente Fati al Jami,
que se encontra encarcerado desde 2004, depois de ter exigido a realização de
eleições e a existência de uma imprensa livre. O caso de el Jami tem sido
amplamente publicitado pela organização de defesa dos direitos humanos Human
Rights Watch, baseada em Nova Iorque. O responsável daquela organização para a
região do Médio Oriente, Joe Stork, acha que Rice devia dizer à Líbia que não
poderá haver uma melhoria significativa das relações bilaterais sem uma solução
satisfatória daquele e doutros casos: "Vários corajosos dissidentes políticos
foram detidos e condenados a longas penas de prisão apenas por terem criticado publicamente
o governo. Esse assunto deve estar no topo da sua agenda."
Condoleezza Rice dará início a este seu
périplo de quatro dias em Lisboa para
conversações com os leaders portugueses, deslocando-se depois à Líbia, Tunísia,
Argélia e Marrocos. O último secretário de estado americano a visitar a Líbia
foi John Foster Dulles, que se deslocou aquele país norte-africano em
1953.