Uma técnica agrícola desenvolvida por
cientistas para ajudar os pequenos agricultores na semidesértica região do
Sahel esta a ser introduzida junto dos agricultores pobres do Leste e da África
do Sul.
Espera-se que aumentando os resultados através
de melhores técnicas e de mais variadas culturas possa ajudar a fazer baixar os
preços exorbitantes dos alimentos e dos fertilizantes no continente africano e
aliviar a fome e a pobreza.
Especialistas do Instituto indiano de
Pesquisas Agrícolas para os Trópicos Semi Áridos sustentam que 25 mil
agricultores de pequena dimensão na África Ocidental estão a melhorar a
situação utilizando uma técnica conhecida por fertilizar através de pequenas
doses.
Resultados obtidos no Niger, no Mali e no
Burkina Faso indicam que a micro dosagem tem potencial para ajudar os
agricultores das regiões da África sub saariana aumentar as colheitas em mais
de cento o vinte por cento e assim aumentar os rendimentos em entre 50 e 130
por cento.
A micro dosagem envolve alimentar as
sementes com uma pequena quantidade de fertilizante estrategicamente colocada.
Cerca de seis gramas de fertilizante e aplicada em cada semente, o que
significa que um agricultor com cem hectares de terra necessita apenas de
metade do fertilizante par fazer crescer a mesma colheita.
O director assistente do Instituto para a
África Ocidental e Central, Ramadjita Tabo, afirma que tendo de utilizar menos
fertilizante constitui um elemento critico para os agricultores por que o custo
do mesmo e duas a seis mais na África sub saariana do que no resto do mundo. Os
preços são mais elevados devido ao reduzido volume, aos elevados custos de
transporte e por não existir quase produção local.
"Cava-se primeiro o buraco, põe-se o
fertilizante e planta-se a semente, e o fertilizante encontra-se mesmo ao lado
da semente, e isso é realmente o que a planta necessita."
O Instituto avalia que a degradação da
terra fica a dever-se ao uso intensivo que afecta mais de metade da África sub
saariana, conduzindo a perda de mais de cinco milhões de hectares de terra
agrícola e a mais de 42 mil milhões de dólares de rendimento.
Os pequenos agricultores com frequência
abandonam os campos não produtivos e abatem florestas, uma pratica que tem sido
responsabilizada pela desflorestação maciça do continente e contribuindo para o
aquecimento global.
Através da ajuda ao governo e as agencias
não governamentais e fundações privadas, Tabo adianta que cerca de 200 mil agricultores
no Leste e no sul de África tem visto como funciona a micro dosagem.
"Anteriormente apenas se recebia sacos de 50
quilos, que custavam 20, 25 ou trinta dólares. Os pequenos agricultores não
conseguem suportar estes custos. Estamos a incentivar que em países como o
Quénia, o Zimbabwe, o Niger, o Mali e o Burkina Faso possam vender sacos mais
pequenos de cerca de dois a quatro quilos que os agricultores possam levar para
os campos".
A micro dosagem fertilizante na África
Ocidental esta a ser utilizada para colheitas de cereais como o sorgo e o
milho.