A Comissão de Eleições de Angola admite atrasos em algumas mesas de
voto, sobretudo na capital Luanda, onde se concentra um terço dos mais de 8
milhões de eleitores.
O presidente da UNITA já veio mesmo dizer que a votação está a ser «um
desastre» e que, a manterem-se as mesmas condições, as eleições tornam-se
inaceitáveis.
Isaías Samakuva diz ter conhecimento de muitas assembleias de voto que
não estão a funcionar e de faltarem cadernos eleitorais.
A chefe da missão dos observadores da União Europeia também confirma
este cenário. Diz que a organização das mesas de voto em Luanda é «péssima» e
que nada estava preparado para o arranque da votação.
«Todo o processo, nas áreas em que eu estive, está muito complicado e
difícil», disse Luisa Morgantini à Lusa em Luanda.
Nas duas primeiras horas de votação, Morgantini esteve no Cacuaco e
Boavista, duas das maiores áreas residenciais de Luanda, e observou que nada
estava preparado, registando-se nomeadamente a falta de cadernos eleitorais.
Luisa Morgantini acrescentou que a informação que tem das restantes
províncias é que o processo está a decorrer melhor, havendo, no entanto,
informação de pequenos problemas, mas nada comparado na situação de Luanda.
Em declarações à SIC Notícias, o jornalista da Lusa, Henrique
Botequilha, confirmou que há de facto problemas, sobretudo na capital onde, às
7h00, hora em que deviam abrir as assembleias de voto, nenhuma estava a
funcionar.
A situação começou a regularizar-se entre as 8h30 e as 9h00 na capital,
mas às 10h00 algumas mesas de voto estavam por abrir.
Fora de Luanda, há registo de alguns atrasos em algumas províncias, mas
a situação foi menos complicada que na capital, relata o jornalista.
Presidente Votou na Cidade Alta
O presidente José Eduardo dos Santos exerceu o
seu direito de voto por volta das oito e meia da manhã, na assembleia de voto
n.º 0401070, instalada junto ao protocolo de Estado, na cidade alta.
Acompanhado pela família, o presidente votou
depois dos membros da assembleia local.
Falando à imprensa, JES disse acreditar que o
processo decorra num ambiente de calma que se deverá estender após a publicação
dos resultados independentemente de quem vença.
«Este éum momento político muito importante, é
um momento histórico para Angola e o mais importante para todos será que Angola
saia como vencedora desta grande competição para a consolidação da
democracia».Em 1992, aquando da realização das primeiras eleições gerais em Angola,
José Eduardo dos Santos tinha votado numa escola algures no município da Samba.
Luís dos Passos Desiludido
O presidente PRD, Luís dos Passos, exerceu o
seu direito de voto na assembleia nº 04.11.154, instalada numa escola do
segundo ciclo do bairro Nova Vida, em Luanda, uma área habitacional que surgiu
há pouco tempo para desanuviar a pressão da população sobre a cidade.
Eram 11h30m quando Luís dos Passos,
acompanhado de membros da direcção do seu partido, depositou o voto na urna e
fê-lo com um sentimento de esperança num futuro melhor.
Luís dos Passos manifestou-se, entretanto,
desiludido com a Comissão Provincial Eleitoral de Luanda devido alguma
desorganização que se reflectiu no atraso na abertura das assembleias de voto.
«Acabo de votar com um sentimento de esperança
de que teremos um futuro melhor e respeitaremos a vontade do povo, independente
do partido que vier a ganhar as eleições. Há alguns constrangimentos que
estamos a verificar, como a ausência de delegados e falta de boletins de voto
em algumas assembleias de voto, outras ainda não começaram a funcionar, o que
deixa transparecer que afinal as coisas não estão tão bem como se dizia»,
rematou.
O atraso na abertura das assembleias de voto foi um aspecto quase geral
em Luanda. No local onde Luís dos Passos votou, as urnas abriram às 10h30m ou
seja três horas e trinta minutos depois da hora marcada inicialmente. Isto fez
com que algumas pessoas abandonassem o recinto.