Em Angola, com mais de metade dos votos contados,
o partido governamental, o MPLA conseguiu uma esmagadora vitória com mais de 80
por cento dos votos nas eleições legislativas de sexta-feira passada. O
principal partido da oposição, a UNITA quedou-se pelos 10 por cento e pediu a
repetição do escrutínio em Luanda queixando-se de que a votação decorreu de um
modo irregular. Verificaram-se, de facto, problemas, na sexta-feira, quando
algumas assembleias de voto não abriram a tempo ou não dispunham de boletins de
voto. Um grupo de observadores da União Parlamentar Pan-Africana registou mais
de uma dezena de irregularidades. Contudo, um dos seus delegados Johson
Bartile Toskin do Uganda disse ao
enviado especial da VOA, Scott Bobb, que não detectado indícios de violência: "Estamos
muito satisfeitos com o modo como decorreram as eleições em Angola. Apreciámos
muito o entusiasmo do povo angolano e podemos dizer que as eleições foram
livres e justas."
Por seu lado, a rede de observadores angolanos
Plataforma destacou mil e 300 observadores através do país, tendo registado seis
incidentes de violência ou de intimidação e mais de 400 outras irregularidades
devido, sobretudo, à falta de boletins de voto. Contudo, uma porta-voz daquela
organização, Sizaltina Cutaia, afirmou à VOA que não havia indícios de coerção:
" Há questões acerca das quais nós
vamos fazer recomendações, mas podemos
dizer sem margem de dúvida que não houve coerção. Queremos com isso dizer que
tivemos um ambiente que proporcionou ao povo a eleição livre e democrática dos seus
representantes."
Observadores da SADC, a Comunidade de Desenvolvimento
da África Austral, manifestaram também a sua satisfação relativamente às
eleições legislativas angolanas apesar das queixas da oposição.