UNICEF: Pouco Progresso a Reduzir Mortalidade Materna
Por Renato Bittencourt 19/09/2008
Esperando por cuidados maternos numa clinica
O Fundo das
Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indica que mais demeio milhão de mulheresmorrem anualmente devido a complicações
durante a gravidez ou no momento do parto.
No seu relatório anual, divulgado hoje, a
UNICEF diz que a quase totalidade das mortes ocorre nos países em
desenvolvimento, e mais de metade, na África subsaariana. O segundo índice mais
alto de mortalidade situa-se na região do Sul da Ásia.
Nos países em
desenvolvimento, o risco de morte ligada à gravidez é de 1 para 76, em
comparação com 1 para 8 mil no mundo industrializado.
A chefe do
gabinete de informações estratégicas da UNICEF, Tessa Wardlaw, diz que o lugar
mais perigoso neste aspecto é o Niger.
A hemorragia é a
causa mais comum de morte, sobretudo na África e na Ásia. A saúde geral da
mulher, incluindo o seu estado nutricional e situação relativa ao VIH,também contribui para determinarse ela terá um parto normal. Além disso,
factores sociais, como pobreza, nível educacional, discriminação e práticas
culturais e tradicionaissão
importantes para assegurar à mulher melhores oportunidades de sobrevivência.
O relatório da
UNICEF informa que 70 mil mortes maternas ocorrem na faixa etária dos 15 aos 19
anos. Mas o chefe do Departamento de Saúde da UNICEF, Peter Salama, adverte que
muitas mulheres que sobrevivem têm de enfrentar sérias complicações decorrentes
do parto, e que se reflectem nos recém-nascidos. Existe um vínculo inextricável
entre a saúde da mãe e a do recém-nascido.
Este vínculo tem
que ser levado em consideração, sublinha Peter Salama, porque cerca de 40 por
cento ou mais dos nove milhões de mortes ocorridas em crianças com menos de
cinco anos estão ligadas a problemas na hora do nascimento. Sabemos também que
crianças que perdem a mãe nas seis primeiros semanas de vidatêm um índice mais alto de mortalidade que
se estende pelos primeiros dois anos.
Segundo oDoutor Salama, a maior parte das mortes maternas pode ser evitada. Entre
as medidas capazes de salvar a vida das mulheres, incluem-se planeamento
familiar, presença de um profissional de saúde especializado na hora do parto,
acesso a atendimento obstétrico de emergência e cuidado pós-parto para as
mulheres e os recém-nascidos.