O novo comando militar dos Estados Unidos para
a África, conhecida pela sigla AFRICOM, iniciou hoje oficialmente as suas
operações. Com o quartel general provisório instalado em Stuttgart, na
Alemanha, o AFRICOM terá, entre outras,
atribuições, as operações militares americanas no continente africano,
com excepção do Egipto, funções
anteriormente atribuídas aos comandos militares dos Estados Unidos para a
Europa, Médio Oriente e Ásia.
Stuttgart vai, por conseguinte, acolher a sede
desta nova estrutura militar, isto até que Washington decida pela sua
transferência para o continente africano.
Diga-se, uma tarefa que tem, em certa medida,
sido dificultada por algumas vozes críticas africanas, que não hesitam em
relacionar o AFRICOM, ao crescente
interesse dos Estados Unidos pelo petróleo africano.
Uma critica desdramatizada pelo vice
comandante daquela nova estrutura militar, o vice-almirante da marinha, Robert
Moeller, que defende a organização,
como uma mera estrutura de promoção da estabilidade e da segurança em África.
O próprio presidente George Bush já veio a
público desmentir alegados planos de Washington de construção de bases
militares naquele continente.
Mas, numa nota hoje tornada pública e a
propósito do inicio das operações do novo comando militar americano para a
África, Russ Feingold, senador pelo Estado de Wisconsin e presidente do
sub-comite para os assuntos africanos do Senado, reitera a importância
estratégica do continente africano para a segurança dos Estados Unidos.
Na nota, Feingold chama a atenção para a necessidade que os Estados Unidos têm de
não descurar do facto dos chamados
estados frágeis ou falhados, das zonas em conflito, da insegurança marítima, do
narcotráfico, da inapropriação dos recursos naturais e do tráfico de armas constituírem,
a longo termo, potenciais ameaças aos
interesses americanos.
Para o sucesso da nova estrutura militar
aquele influente senador americano recomenda ainda na mesma nota a que a VOA teve acesso, a necessidade de
Washington continuar a apostar no desenvolvimento das capacidades diplomáticas, económicas e humanitárias do
continente.
De realçar que, entre as acções previstas pelo
AFRICOM ,figuram iniciativas anti-terroristas a par de programas de treino
militar e marítimo, destinados aos parceiros africanos.
Recorde-se que recentemente os legisladores
federais americanos aprovaram o orçamento de funcionamento do AFRICOM,
calculado em 266 mil milhões de dólares, por sinal 123 milhões de dólares a
menos do pacote inicialmente solicitado pela administração do presidente George
Bush para o funcionamento da estrutura, durante o seu primeiro ano de existência.
O comité de alocação de fundos para o sector
da defesa, da Câmara dos Representantes justificou na altura o corte orçamental,
ao falhanço do AFRICOM no estabelecimento de uma presença no continente
africano.
Para nos ajudar a compreender a importância do
AFRICOM, a nova estrutura militar dos Estados Unidos para a estratégia
americana em África, Nelson Herbert conversou com o major do exército de
Portugal, Luís Brás Bernardino, por sinal autor da obra "Estratégias de Intervenção
em África".